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quinta-feira, 25 de maio de 2017.   
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CARTA PARA A VIVI

Meu anjo, hoje faz um ano que não te vejo mais. De onde você está, consegue entender a saudade que eu sinto? Querida, se pode me ver, não sofra com as minhas lágrimas. Hoje elas são de saudades, só disso.

Quando você partiu, um sentimento de revolta me invadiu: por que Deus fez isso comigo? Tantas crianças maltratadas pelos pais nas ruas e ele leva a minha Vivi, tão amada, tão desejada...

Com o tempo, aprendi a não questionar as razões. Elas pertencem só a Deus. A revolta também não me ajudaria em nada, ao contrário, me distanciaria dele e eu precisaria ainda de muita força de Deus para estar ao lado da sua irmã... Falando nela, ela também sentiu muito sua falta. Seus avós, suas tias, suas madrinhas, seu priminho, a família toda. Até seu pai, que não é de expressar sentimentos, ficou muito abalado. Não estávamos preparados para a sua partida, minha filha. Todos nos preparamos para recebê-las, as duas. Foi difícil acostumar com a sua ausência.

O tempo me ensinou e Deus me ajudou a transformar a dor em saudades. Saudades dos seus olhinhos espertos, das suas travessuras na incubadora, de como você gostava de chamar a atenção.Saudades de acompanhar seu ganho de peso, sua evolução rápida, de você segurar meu dedo com aqueles dedinhos magrinhos e longos.

Saudades filha, de você no meu colo. Queria poder ver o seu rostinho hoje. Às vezes Deus me dá a alegria de sonhar com você. Talvez seja o desejo, que é muito grande, de te ver que faz a minha mente imaginar como você estaria agora... Talvez tenhamos mesmo algum encontro, quem sabe?

Lembro-me de todos os seus detalhes: seus cabelos clarinhos, ralinhos e, embora em tão pequena quantidade, formavam pequenas ondulações na nuca. O desenho da unha era a única coisa idêntica à da Sofia. Seu pai diz que é igual à unha dele. Seus olhos enormes, como os da mamãe...

Apesar da saudade que eu sinto de você, faço de tudo para ser a melhor mãe do mundo para a Sofia.

Raramente choro na frente dela, tenho muita energia para brincar e somos muito ligadas. Tenho pouco tempo, porque voltei a trabalhar e estudar. Isso me fez muito bem. Para compensar, aproveito cada segundo ao lado dela e sei que você aprova nossa alegria, nossa celebração à vida.

Sua irmã está enorme. Danada, esperta e bem falante. Queria que você a visse. Ela já come pão, toma iogurte e come pequenos pedaços de chocolate... É uma pena que você não tenha tido tempo de experimentar essas delícias...

Ainda temos uma longa batalha pela frente, porque descobrimos que ela tem uma lesão. Precisará de tratamento para andar, mas vai superar tudo, se Deus quiser.

Um ano depois da sua partida, filha, queria encontrar um lugar como se fosse um ponto de encontro nosso. Não quero visitá-la no cemitério, porque sei que você não está lá e aquele lugar me traz muita dor. Queria um lugar de paz. Então escolhi o Goethe, minha escola de alemão aqui em São Paulo. Você sabe o quanto eu gosto daquele lugar, né?

Como você também gostava das aulas do Azenha, entendo que você vá aceitar a minha escolha. No fundo, sei que você está dentro de mim, aonde quer que eu vá. Você está comigo, sempre. A escolha do local é só para termos um código, um ponto de homenagem.

Obrigada pelos seus 40 dias comigo, filha. Não posso dizer que foram os quarenta melhores dias da minha vida porque foram dias de imensa aflição, com as infecções da Sofia e sua. Foram, entretanto, quarenta dias em que estivemos juntas e isso é o mais importante. Juntas: eu, você e a Sofia. Vocês me ensinaram o que é amor de verdade, o que é força, coragem, vontade de viver. Amadureci muito com vocês, minha princesa. Obrigada por todas as lições que você me deu. Obrigada pelos 40 dias que mudaram minha vida. Perdoe-me pelo que não deu tempo de fazer. Perdoe-me se faltou eu fazer ou dizer algo. O mais importante você sabia: que eu te amo, que amo as duas igualmente, que vocês duas eram tudo para mim.

Em síntese, obrigada por tudo, filha... Nós te amamos.
Um grande abraço, com muitas saudades,
Da mamãe e de toda a família
 
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