Bem, tudo começou no dia 13 de fevereiro de 2005, quando entrei na internet para olhar o resultado do exame de gravidez e lá estava positivo!! Desde então nossas vidas mudaram, primeiro foi organizar o casamento que foi no dia 22/04, e depois de tudo o enxoval do bebê.
Com quatro meses de gestação descobrimos que era uma linda princesa, então começamos a dificilescolha do nome. Só sabíamos que seriam dois nomes e que o primeiro seria Ana, foram várias idéias, sugestões, mas nenhum tinda dado aquele toque especial, foi então que numa tarde eu estava assistindo o Jornal Hoje (Tv Globo) e passava uma reportagem triste sobre um acidente que havia acontecido na rodovia da morte (SP-PR), em que o casal havia morrido e por um verdadeiro milagre a bebezinha que estava na cadeirinha no banco de trás havia sobrevivido, e o nome dela era Julia.
Aquilo me tocou tanto que na mesma hora decidi que o nome da princesa seria Ana Julia, mal sabia que minha filha também seria um milagre como ela. Minha gravidez foi a mais tranquila que uma mulher pode desejar, sem enjôos, mal estar, tonturas, realmente eu não sentia nada.
Quando descobri que estava grávida, estava ainda no primeiro mês, então o acompanhamento e pré-natal foi feito desde o início, fiz exames, tomei vacina, vitaminas e sempre todos os meses ia pra minha consulta sem falta, tudo ia bem, a pressão sempre dava 10×6, omaximo que chegou foi 11×7, mas qdo cheguei no sexto mês começei a inchar, meus pés pareciam duas bolas de tão inchados, então liguei pra minha médica e ela mandou medir a pressão, medi e deu 11×7, quando fui pra consulta ela ficou impressionada de um mês para outro tinha engordado 9 kilos e tava realmente muito inchada, essa consulta foi no dia 02/08/06, ela mesma mediu a pressão e deu 11×7, então ela me aconselhou a fazer umas seções de drenagem linfática e passou uma ultrassom de rotina, quando batia ultra o médico achou que ela estava pequena para a quantidade de semanas 28 e que ela tinha se desenvolvido pouco em relação ao mês anterior e aconselhoua bater uma com dopller, daí já começei a sentir que alguma coisa ia mal.
No mesmo dia fui na minha médica e peguei a requisição e no dia seguinte 04/08/06, fiz a ultra com doplleer e ele constatou que realmente a nenem não estava se desenvolvendo bem, fiquei desesperada e marquei minha consulta para segunda dia 07/08/06, mas quando chegou domingo dia 06/08/06, começei a sentir uma leve dor de cabeça que foi aumentando aos poucos e começou a latejar, então tomei um tylenol e a dor não cedia, pelo contrário só aumentava, fui na farmácia e medi a pressão, deu 14×10, liguei para médica e ela mandou comprar aldomed (remédio para pressão) , tomar um comprimido e medir de novo em duas horas,antes de sair de casa para medir a pressão novamente tive uma sensação de que tão cedo não voltaria em casa, quando medi de novo deu 18×10, liguei pra Dra. chorando e ela mandou eu ir urgente para maternidade que poderia ser que o parto precisasse ser interrompido, fiquei meio anestesiada e fui.
Chegando no hospital, medi novamente e deu 14×9, tomei um medicamento na veia e a pressão subiu para 16×12, foi aí que fui internada. Foi a noite inteira e o dia de medicamentos e a pressão não cedia, a médica pediu alguns exames e foi constatato que a neném estava em sofrimento, pois com a pessão descontrolada ela não estava sendo bem oxigenada, foi então que no dia 07/08/06 às 17:50 hrs nascia a pequena Ana Julia Bandeira de Melo Rodrigues, com 940 gramas e 33 cm. O parto foi rápido, nem entendia o que estava acontecendo direito, era como se aquilo tudo fosse um pesadê-lo, tudo o que sonhei, planejei pro meu parto não estava acontecendo. Eu imaginava que ia ser um dia encantado, com brigas para decidir quem iria bater as fotos entre meu mardo, minha irmã e meu pai.
Sempre quis aquela foto que quando as crianças nascem tiram ao lado da mãe não pude nem ver minha filha quando nasceu, só lembro da movimentação dos médicos e do silêncio quando tiraram ela da minha barriga, depois de uns trinta segundos foi que ela deu um chorinho fraco e bem baixinho, aí ouvi um médico dizer: tá viva. Depois só lembro de acordar na UTI, passei três dias lá, sem poder ver minha filha e saber direito como ela estava e se realmente estava viva.
Foi aí que começou a outra parte da nossa história, a UTI neo natal, um mundo novo e totalmente desconhecido por nós. A primeira vez que vi a Julhinha foi uma junção de sentimentos inesplicáveis, tão pequena, tão magrinha, tantos fios, aparelhos, barulhos que iriam fazer parte de nossa rotina. Ela era a menor que tinha lá e a mais grave também, estava com aqueles óculos de gases para protegeros olhos da luz e eu achava que ela tinha nascido sem olhos e não queriam me contar (nem tive coragem de perguntar).
A médica chegou e disse que ela estava começando uma luta muito grande e que seria muito importante a minha participação para alcançarmos a vitória. Passei umasemana internada sempre indo vê-la quando dava saudades, poisnão podia ficar direto lá. A pior sensação foi ter que ir pra casa e deixá-la lá sozinha, aí começou uma história de angústias, medos, incertezas e também de muita fé, esperança e vitória.
Com 15 dias de vida a Julhinha teve uma infecção muito forte que quase a levou de nós, um dia sai ela tava bem com 96o gramas no outro quando voltei ela tava super inchada com 1120 kg, nem se mechia, a auxiliar que foi colher o sangue dela disse que ela não teve nenhuma reação quando foi furada e que isso era um mal sinal, no outro dia quando cheguei para visitá-la escutei o médico dando um diagnóstico muito ruim de um bebê, praticamente desenganado mesmo e só pedi a Deus que não fosse da Ana Julia, mas infelizmente era, ele me disse: mãezinha, infelizmente não temos muito o que fazer, ela não esta reagindo as medicações, a ultima cartada vai ser usar antibióticos de 4ª geração, mas não posso dizer nada, mas reze, enquanto a vida há esperança. Senti o mundo desabando na minha cabeça, a pressão subiu de novo, mais cheguei perto da incubadora e vi minha pequena tão frágil, foi nesse momento que senti a presença de Deus entre nós, chorei muito na incubadora e pedi a Deus pela vida dela, e a coloquei nos braços de Nossa Senhora que é mãe como eu e que viu seu filho morrer na cruz, e quando segurei a mãozinha dela, ela apertou meu dedo com tanta força que tive a certeza que ela ia vencer aquela batalha. Dois dias depois ela já tava tão desinchada que chegou ao seu peso real 870 gramas, foi aí que a médica se animou e disse que com certeza a infecção estava sendo combatida com sucesso, fizeram a hemocultura e deu tudo negativo. Mas aí surgiu o soprinho no coração, mal ela tinha vencido a infecção, foi aí que começei a entender aquela frase que todo prematuro é uma caixinha de surpresa, e como é. No começo ela não reagia com o medicamento, e ela ia fazer um ECO, mais no dia seguinte o sopro já havia diminuido tanto que a médica achou melhor nem locomovê-la para fazer o exame, essa foi mais uma vitória, ela estava com vinte dias e seu quadro era estável e começou mais uma grande luta, ela não aceitava a alimentação e se alimentava com alimentção parenteral (artificial), tomava 1 ml de 3/3 horas e deixava resíduos, não se adaptava de forma alguma com o leite. Com 24 dias tivemos uma vitória muito importante, a Julhinha saiu do respirador e passou para o CPAP, e daí começou a aceitar a alimentação, começou com 1 ml e foi aumentando a cada dia, tudo ia bem, saiu do CPAP e ficou no O2 circulante mantendo bem a saturação, tudo ia bem, até que os médicos pediram uma ultrasom transfontelanar de rotina e foi constatado que a Ana Julia tinha tido uma hemorragiaintra-craniana e que devido a isso, havia um entupimento nos vasos onde circula o licor, e que ia ser preciso fazer uma cirurgia para colocar um dreno, meu mundo desabou de novo, ela já estava com 1450kg, super bem, na semi-itensiva, só engordando para ir pra casa e vi começar o pesadê-lo novamente, então ela foi transferida de hospital, um dos momentos de muita decepção e angústia pois meu sonho era que quando ela saisse dali fosse direto pra casa, mas Deus não quis assim…
Com 44 dias de vida ela fez a cirurgia que foi um sucesso, passou mais 17 dias pra ganhar mais peso e passar o pós-operatório e deois de 61 dias de internação a Julia veio pra casa!!!!!!! Um dia mágico 07/10/06, no dia que ela fez 02 meses, foi uma alegria indescritível, fui buscá-la com minha irmã, ela estava com 1770kg, qdo cheguei em casa minha família tava toda aqui esperando, com balão, bolo, a maior festa!!!!! Os primeiros dias foram defíceis, tinha muito medo de fazer alguma coisa errada e ela ter que voltar pro hospital, mas tudo correu e esta correndo muito bem, ela esta com 4 meses e 7 dias, pesando 5 kg, fez vários exames ECG, BERA, potencial evocado, hemograma, retina e tudo esta absolutamente normal. Esta fazendo estimulação precosse pra ajudar na postura por causa do tempo na incubadora e já esta firmando o pescoço, fica alinhada, sorri, segura os brinquedinhos, uma verdadeira mocinha.
Ela é o centro das atenções da nossa família e de alguns amigos, não dá pra medir o tanto que eu amo minha filha, ela é tudo, vivo por ela e pra ela e peço a Deus todos os dias por sua saúde e de todos os prematuros do mundo.
Estou me disponibilizando para ajudar pais que queiram tirar dúvidas, meu email é fernandacmelo2@hotmail.com, beijos, felicidades saúde para todos.
Pais da Ana Julia Bandeira de Melo Rodrigues
Fernanda Cavalcante de Melo e José Deusney
Rodrigues de Oliveira somos de Fortaleza-CE
Telefone de contato: 85- 9929-0018
emails: fernandacmelo2@hotmail.com e fernandacmelo2@yahoo.com.br





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