Sou mãe de UTI, mas graças a Deus – graças a Deus mesmo – minha pequena está comigo, pois não sei como seria a minha vida sem ela….
Depois que a Bella nasceu, sempre digo que se eu pudesse fazer um único pedido, seria:
- Que nenhuma criança sofresse e que não morressem….!! Sei que morrer é algo que acontecerá com todos e sempre imaginamos que pela lei da vida, os mais velhos devem morrer primeiro… e não os nossos bebes, nossas crianças… é difícil aceitar….
A Isabella nasceu com 26 semanas de gestação, 26 cm e 510grs… Tive pre-eclampsia e tudo aconteceu tão rápido que quando me dei conta da gravidade do problema, meu bebezinho já estava na UTI, naquela imensa incubadora e cheia de aparelhos, soros, medicamentos, tampão nos olhinhos devido ao banho de luz, touquinha para não perder calor e consequentemente peso, com alimentação parenteral, sonda….. Deus, o que era aquilo??
Ela é a minha 1º filha e foi um grande choque para todos que me conhecem, durante os quase 2 dias que fiquei internada, pois eu sabia que a minha Bella estava muito ruinzinha, mas não fazia ideia do meu estado clinico…
A medica reuniu a minha familia para avisar que somente por um milagre eu sobreviveria, pois a minha pressão estava muito alta e talvez eu não resistisse na hora do parto…. E neste momento, todos inclusive eu, já estavam cientes de que perderíamos a nossa tão sonhada menininha…
Enfim, no dia 15/09/2005 as 17:57hs, a Bella nasceu e ainda chorou! Um chorinho muito baixinho, mas chorou!! Coisa que a médica avisou que eu não iria ouvir pois a bebe não tinha pulmão suficiente para isso….
Ficou 126 dias na UTI de alto risco… Durante esse tempo, chegou a 470grs, operou do coração com 15 dias de vida e 502 grs, teve várias apnéis, foi entubada e extubada várias vezes, teve hemorragia cerebral grau 2, retinopatia, atelectasia, várias transfusões de sangue… ufa!
Isso para uma mãe e um pai, é o fim do mundo! Ver tanto sofrimento concentrado em um serzinho tão pequeno, não é nada fácil… Pela 1º vez na vida, senti doer o meu coração… Uma dor que não tem como explicar e não tem como comparar a nada que já vivi…
Meu marido sempre falava que tudo o que a Bella sofreu em 4 meses de vida, nós dois juntos desde que nascemos, não sofremos nem metade de tudo aquilo….
Durante esse período que acompanhamos a Bella na UTI, a nossa dor era emocional, diferente dela que estava sendo picada mexida, invadida por aparelhos, agulhas…… Gente, como doía o nosso coração, a nossa alma vendo tudo aquilo e sem poder fazer absolutamente nada além de rezar…!
Graças a Deus após 126 dias de muita luta para pegar peso e conseguir respirar sozinha, a nossa Bella teve alta!
Nossa, foi o dia mais feliz de nossas vidas, com muito medo de saber que a responsabilidade era só nossa, mas muita alegria em poder acordar no meio da noite e ver a nossa bebezinha ao nosso lado….
Hoje, a nossa moça está com 1 ano e quase 4 meses e graças a Deus é muito esperta e saudável (ah, está um pouquinho estrábica e fazendo tratamento para correção, mas isso não é nada em vista de todos as sequelas que ela poderia ter ficado por ter nascido tão pequena…).
Admiro cada mãe de UTI, pois mesmo sabendo que em vista de muitas histórias que tenho lido, a minha não é nada, sei que independente de estarmos ou não com nossos filhos, essa dor que sentimos nunca ninguem conseguirá apagar….
Que Deus continue dando forças a essas mãezinhas, principalmente aquelas que como voce, Maria Julia, não estão com essas pessoinhas tão importantes ao lado e sim no dentro do coração e nas lembranças, sabendo que elas estão bem amparadas nos braços de Deus.
Muita fé, paciencia e coragem para continuar. É esse o lema de uma mãe de UTI…
*** Isabella, eu, o papai e toda a nossa familia, te admiramos e te amamos!!! Filha, você é uma grande vitoriosa e tenho muito orgulho de voce por tudo o que voce passou e pelo tanto que voce lutou para sobreviver! Você é a vida da mamãe…. EU TE AMO, FILHA!! ***
Desculpe o desabafo, mas desde que tudo aconteceu é a 1º vez que consigo escrever o que passamos…
Ah, enquanto eu lia o seu livro, precisei parar por diversas vezes, pois as lágrimas me impediam de continuar e mesmo já sabendo o final, eu continuava lendo, ainda acreditando que seria diferente…
Carinhosamente,
Mamãe – Renata Correia / Papai – Augusto
renata.correia@unibanco.com.br





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