Minha historia começa na gravidez que, com 4 meses, já era problemática. Venci os meses até completar o 7 mês, porém antes do 8 mês, minha filha Caroline nasceu. Foi ai que fiquei sabendo que ela tinha um problema chamado tetralogia de Fallot, 4 problemas no coração.
Caroline nasceu com 1,5kg e ficou no hospital durante 1 mês, quando a medica do Hospital Alvorada em São Paulo, decidiu que Caroline poderia ir para casa com cuidados especiais, ou seja, eu tinha que fazer mãe-canguru (mantê-la junto ao meu corpo 24hrs por dia),e eu fiz, só não tomava banho com ela, dormia e acordava grudada nela.
Quando completou +- 3,5 meses o coração não estava mais aguentando,então a cardiologista Dra. Gabriela solicitou que minha filha fosse internada o quanto antes. Foi quando eu conheci um anjo Dra. Beatriz por intermédio do outro anjo Dra. Gabriela. Fomos internadas no Hospital da Criança em São Paulo, e no dia 14 de Agosto, foi sua 01 cirurgia. Tudo correu muito bem, então começou outro problema: o diafragma dela havia paralisado. Ou seja, ela não estava respirando direito, e automaticamente os médicos não conseguiam extuba-la.
Mais uma cirurgia, que foi tudo bem.
Ainda tinham que fechar o tórax dela, e mais outra cirurgia que foi perfeita.
E então apareceu mais um problema: uma infecção generalizada. Mas Deus é prefeito, e tudo foi resolvido. Setenta dias se passam, e nós tivemos alta! Fomos para casa! Todos no hospital vibraram, pois Caroline estava indo para casa! Eu me tornara a mãe do hospital, além de cuidar da minha filha, ajudava a cuidar de outras mães e de seus filhos. A Dra. Cíntia (que ate hoje e minha amiga) me falava que eu era um anjo, pois não sabia da onde eu conseguia arrumar tanta forca para tudo, pois eu não tinha o pai da minha filha para me ajudar – ele ao ver o problema dela desapareceu, caiu em depressão e sumiu em seguida.
Fui para casa muito feliz com ela, a Carol já estava com mais ou menos 6 meses. Eu estava realizada! Já fazia 1 mês que estávamos em casa , quando ela começou a passar mal novamente. Fomos internadas no Hospital Alvorada em Moema. 1 mês e 5 meses de UTI, ela estava novamente com uma infecção de fungos, e não tinha remédio que curasse. Foi quando Dra. Beatriz nos visitou, e voltamos para o Hospital da Criança. Lá ela teve que fazer outra cirurgia para ver se conseguia tirar essa infecção – que ja tinha aspecto de mofo. Era uma cirurgia muito arriscada, mas havia uma grande possibilidade de cura. Mas não tivemos tanto sucesso, mais ou menos 10 dias depois, ela teve uma parada cardíaca, mas conseguiram reanimá-la. Veio o meu aniversario, ela ainda agüentou. No dia 03 de Marco de 2004, eu vi que ela já não suportava mais, nós duas (eu e minha Carol), tínhamos um acordo desde quando eu a entreguei para a Dra Beatriz na 01 Cirurgia, que era:
“Filha eu te entrego para salvar a sua vida, vou ficar te esperando, e você vai ficar firme e forte até ficar boa para vivermos juntas, sairmos juntas daqui”.
Mas ela estava no limite, então eu entreguei nas mãos de Deus e falei para ela: “Se Papai do Céu te chama meu amor, vai com ele, pois você está sofrendo muito e a mamãe também, nunca se esqueça que a mamãe ama muito você”.
No dia 4 de Marco as 03:00h da manhã ela se despediu de mim.
Hoje tento superar tudo isso, faltam somente alguns cacos para serem colocados no lugar, mas só sei de uma coisa:
“Deus me mandou um anjo muito especial, porque eu sou especial para receber esta felicidade, esse amor imenso, intenso, infinito, sei lá mais, somente ele sabe responder, pois foi Quem mandou tudo isso e compartilhou comigo”.
Espero que isso mostre a todos, que não podemos nunca deixar a peteca cair, pois eles dependem de nós, do nosso amor, da nossa luz para estarem aqui, e se percebermos que o sofrimento de um filho é grande demais, não seja egoísta pedindo para Deus deixá-lo com você, sempre peça o que for melhor para ele, e Deus fará sempre o melhor.
Obrigado pela oportunidade.
Débora
debyro3@itelefonica.com.br



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