Como todos voces, fiquei muito emocionada com a entrevista da Júlia, e motivada a dar meu depoimento.
Sou mãe de UTIS – mãe de UTIS porque meus dois filhos quando nasceram ficaram na UTI – como disse a Julia – entrei no hospital com minha barriga, minha mala e a mala do bebê e saí com as malas, sem a barriga e sem os bebês das duas vezes.
Minha 1ª filha ficou “apenas”12 dias na UTI – agora eu digo “apenas” porque comparo com meu filho que ficou exatos 105 dias – três meses e meio. Meu filho Ivan nasceu no interior de São Paulo e foi removido às pressas de helicóptero para a Santa Casa de São Paulo pois a cada minuto que passava após o nascimento, seu estado piorava – respirava cada vez menos. Foi entubado antes mesmo de embarcar e quando chegou à São Paulo ficou constatado que tinha hérnia diafragmática (a gente fica “craque”em termos médicos, né?) e por essa “buraco”no diafragma passavam uma parte do intestino, baço e fígado que comprimiam o pulmão. Fez essa cirurgia que foi até bem sucedida, mas com 6 dias de vida começou a primeira infecção hospitalar. Na verdade aquele pequeno guerreiro teve 3 septsemias (acho que não é assim que se escreve…) e a cada uma delas vários problemas foram surgindo…seus rins foram parando de funcionar; quando começava a ser controlado o problema dos rins, algumas importantes veias perto do coração apresentaram trombose…quando foi constatado que outras artérias estavam fazendo o transporte de sangue….começava nova infecção e outros problemas graves ocorriam. O pior deles era sua incapacidade de respirar sozinho .Seu tubo foi tirado 3 vezes e recolocado logo depois.
O tempo ia passando, eu “morando” na Santa Casa com meu pequeno Ivan; todo o resto ficou para trás – minha filha ficou com meu marido no interior (vinham nos visitar todo fim de semana). Como quase toda minha família mora em São Paulo, contei com o apoio INCONDICIONAL de todos eles. Irmãs, tios, primos revezaram-se e não me deixavam sozinha nunca. Acho que cada um deles deixou de trabalhar pelo menos 15 dias. Os médicos diziam que o Ivan só sairia dessa se desse uma grande “virada”. Contrariando a todos ele foi tendo pequenas melhoras e às vezes grande pioras. Meu estado emocional variava conforme o diagnóstico do dia. Sei que ajudei muitas mães de UTI porque passei a ser “patrimônio” do hospital e as próprias enfermeiras pediam minha ajuda para levar novas mães até o refeitório, banco de leite, assistência social, etc. Sempre falava pra elas que se nossos filhos morressem ficaríamos tristes, mas enquanto eles tivessem vida, tínhamos que aproveitar e passar isso para eles. Nunca chorei no berço do Ivan. Ele acabou nem passando para o quarto ou enfermaria – foi direto para casa. Por um tempo fiquei em São Paulo e “dependente”da Santa Casa pois não me sentia segura em outro lugar. Meu filho hoje é normal, mas sempre nos dando grandes sustos. Ainda tem trombose controlada só por AAS, mas já teve que tiras (com 4 anos) 60cm do intestino que tinha necrosado, e muitas outras coisas (no fim do ano descobrimos que ele tem 3 rins…) Mas ele é lindo e forte.
Se quiser ver uma foto entra no meu Orkut.
– Claudia Miranda –
cmorais4651@itelefonica.com.br
Enfim acho que vivi uma história feliz!!!





Leia a história de Sofia online, uma pequena-grande guerreira que nasceu neste hospital.
Guia do Instituto Abrace para ajudar mães e familiares em um momento de aflição.
Adquirindo o livro, você contribui com a nossa causa. Os valores recebidos pela autora são doados ao Instituto Abrace!