Tinha acabado de completar 18 anos e descobri que estava grávida. Fiquei muito feliz. Mais feliz ainda quando soube que seria um menino. Logo decidi chamá-lo de Lucas.
Tudo corria bem. Aos seis meses de gestação uma surpresa. Minha bolsa rompeu e o meu bebê nasceu uma semana depois, no dia 29/12/2000. Mal pude ver o seu rosto, pois ele estava dentro de uma incubadora sendo levado para a UTI…
Apesar de toda tensão por meu bebê ser muito frágil, eu estava feliz.
Pensava em tê-lo em meus braços, em amamentar o meu bebê tão esperado.
No dia seguinte fui até a UTI. Quando vi o meu bebê tive um choque. Não era o que eu queria, o que eu esperava….. As lágrimas foram inevitáveis….
Os dias foram passando… problemas de diferentes tipos… dúvidas e incertezas….
As vezes ficava deprimida e sem esperanças.
Quando via uma evolução me enchia de alegria e pensava: Logo, logo vamos para casa! Acabamos ficando três meses na UTI neonatal. Via muitas mães chegarem e irem embora e meu Lucas ainda lutando… Mas um dia chegou a minha vez.
E radiante lá estava eu com o Lucas nos braços rumo a nossa casa. Tinha vontade de mostrá-lo a cada pessoa que passava por mim. Mas não entenderiam a minha alegria. Me despedi de todos e fui pra casa. Pensava que nunca mais iríamos para a UTI.
Um mês depois estávamos de volta…. Eu nem entendo como, mas não havia desespero dentro de mim. Apenas ia e encarava a situação. Passamos por muitas coisas difíceis… infelizmente o sofrimento e a dor não se resumiu a UTI neonatal.
Meu querido filho ficou com muitas seqüelas. Até hoje vivemos dias de dúvidas, incertezas e perguntas que sei, não terei resposta. De fato, há coisas que só cabe a Deus conhecer.
Apesar de toda dor que ainda nos consome, estamos firmes: Eu, Papai, Lucas e Victor seu irmão. Nossa ultima estada na UTI, foi em agosto de 2006, quando Lucas trocou sua válvula (DVP). Foi péssimo ver meu filho sentir tanta dor. Uma dor que o levava ao delírio. Que fazia meu filho perder a razão…. que nem a dose de Morfina que lhe foi aplicada resolveu…
Foram dias cruéis, daqueles que preferia que não tivesse existido. Meu Lucas agora crescido, já conseguindo expressar sua dor me fazia desejar estar em um outro mundo… um mundo onde não houvesse sofrimento. Onde nenhuma criança sentisse dor. Apenas alegria.
Desculpem o desabafo…
Quero que saibam que peço a Deus constatemente para que isso acabe o mais rápido possível e que agradeço, também, constatemente por ser mãe do Lucas. Por ter sido escolhida para uma missão que considero tão importante. Meu filho é mais que um simples filho. É como um anjo que Deus enviou para estar ao meu lado. Seu espírito é muito forte. É de um verdadeiro GUERREIRO!
Talvez, enquanto o meu filho viver, serei uma mãe de UTI. Hoje estamos em casa, mas daqui a algumas horas, só Deus sabe onde estaremos.É nesse vai e vem que vivemos, mas mesmo assim somos felizes. Sorrimos sempre e vivemos a vida da melhor maneira possível.
A dor é difícil, mas a recompensa….. Não existe palavras para descrever.
Muita força e saúde a todos.
Antonia Yamashita
antoniayama@gmail.com
http://atrajetoriadeumamae.aaespecial.org




Leia a história de Sofia online, uma pequena-grande guerreira que nasceu neste hospital.
Guia do Instituto Abrace para ajudar mães e familiares em um momento de aflição.
Adquirindo o livro, você contribui com a nossa causa. Os valores recebidos pela autora são doados ao Instituto Abrace!