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Mariah Rafaela – Marcio e Alessandra Nakashima

Postado por Instituto Abrace em 03/12/2010

Olá amigos!

Me chamo Alessandra, tenho 32 anos e sou professora. Moro em São Bernardo do Campo e amo minha família, meus amigos e os animais.

Em Fevereiro de 2006, tive a surpresa de descobrir que estava grávida. Uma gravidez não esperada, porém muito festejada por todos nós.

Então, começaram todos os preparativos e todas as expectativas que permeiam um momento como esse.

Oh, meu Deus! Como será tudo?

Será um menino ou uma menina? (Minha intuição me indicava um menino e a do papai uma menininha).

Junto a todas as perguntas, algumas eram inevitáveis.

Teríamos condições de educá-la? Seria uma criança perfeita? Seríamos bons Pais?

Então, logo depois da novidade, pedi a Deus que nos iluminasse, que nos preparasse para essa missão e que pudéssemos contribuir da melhor forma possível, para a evolução espiritual desse pequeno ser que nos escolheu como seus Pais.

No dia da minha primeira consulta pré-natal, pedi então um sinal dos anjos de que não deveríamos temer nada, pois tudo seria maravilhoso e nada sairia errado. Pedi que me fosse mostrado um lindo ramalhete de flores coloridas, no caminho até o consultório.

Assim que peguei meu marido no trabalho, ao virarmos a primeira esquina, lá estava um jovem rapaz em frente a uma casa e em suas mãos uma linda imagem de Nossa Senhora Aparecida, cujo pedestal encontrava-se repleto de lindas flores do campo, de todas as cores e formas.

Aquela imagem me tranqüilizou e me acalentou o coração.

Daí vieram os primeiros exames, que mostraram que eu estava 100% para ter uma gestação tranqüila.

O primeiro ultrassom nos proporcionou a sensação indescritível e inigualável que é ouvir o coração daquele ser que já é tão seu, pulsando tão vivo e intenso, apesar de ainda tão pequeno. Com 13 semanas de gestação, fizemos o primeiro ultrassom morfológico, que nos mostrou que tudo estava transcorrendo bem com nosso bebê.

Para nossa curiosidade e surpresa, a clínica onde fizemos esse ultrassom ficava numa rua chamada 12 de Outubro e pelo cálculo do meu obstetra, o nosso bebê completaria 40 semanas também no dia 12 de outubro.

Todas essas pequenas coincidências foram muito marcantes para mim, somadas àquela imagem de Nossa Senhora que vi no início da gravidez e que já relatei anteriormente.

Então pensei “isso deve ser um sinal dos céus, de que de alguma forma, devo confiar na Mãe das Mães”.

Apesar de nunca ser muito ligada a imagens de santos, aquilo tudo me chamou muita atenção, então, dali em diante, a tomei como minha protetora e passei a rezar diariamente diante de um pequeno altar que preparei para ela.

Fomos ao santuário e agradeci por ela ter se mostrado a mim, mesmo sem entender o porquê, até então.

Esperamos pelo segundo ultrassom morfológico, ansiosos por saber finalmente o sexo do nosso bebê. Se fosse uma menina, já tínhamos o nome escolhido, seria Mariah. Se fosse um menino, ainda decidiríamos entre Enzo e Murilo. E o tão esperado dia chegou, eu estava com 4 meses e meio de gestação e fomos novamente à rua 12 de Outubro.

Logo que o exame começou, veio a confirmação que o papai sonhava ouvir, era uma menininha, era a nossa Mariah.

Porém, ao final do exame, o médico nos disse que não tinha sido possível verificar de forma satisfatória o coraçãozinho da nossa menina devido a sua posição e que provavelmente o meu obstetra solicitaria uma Ecocardiografia fetal.

Apesar de sentir uma sensação ruim, procurei não encucar com isso. A alegria de poder começar a preparar o nosso mundo cor-de-rosa era maior que tudo.

Dois dias depois, fui buscar o resultado, assim que o abri para rever, as imagens dela, me deparei com um laudo onde estava escrito que a imagem ultrassonográfica sugeria que o ventrículo direito era maior que o esquerdo e daí o mundo saiu debaixo dos meus pés. Li e reli o parágrafo várias vezes, pois não acreditava no que estava acontecendo.

Chegando em casa, liguei para o obstetra e pedi a antecipação da consulta para o dia seguinte e logo depois liguei para o meu marido que apesar de apreensivo, tentou me tranqüilizar. Daí em diante, a nossa maratona começou. Tivemos o diagnóstico de coarctação de aorta e a nossa pequena deveria ser operada no dia seguinte do seu nascimento.

A dor foi intensa e incomparável. Como alguém poderia passar 4 meses, sem saber o que aconteceria ? E aquilo me pareceu muito desumano. Porém uma coragem tomou conta de mim e daí passei a entender porque Nossa Senhora havia se mostrado para mim. E foi com ela que passei todo o restante da minha gestação. Entre inúmeras consultas com cardiologistas e com o cirurgião, pude perceber o quanto Marcio, meu marido, foi fundamental para que eu sobrevivesse ao drama que vivíamos, foi um companheiro inigualável que sofria calado na tentativa de me dar força e de me sustentar.

Percebemos também quantos amigos tínhamos sem nos dar conta. Senti muito não poder contar com a minha mãe, que passava pela sua 11ª crise de depressão, mas pude conhecer o amor materno da minha tia Célia, tão companheira e também da minha irmã que esteve comigo quando mais precisei. Também não posso deixar de citar o carinho das amigas Simone e Clarice.

Tudo mudou na nossa vida desde então, tivemos que mudar de obstetra e de hospital, mas nunca perdi a fé e a certeza de que tudo daria certo. Quando me sentia desanimada, conversava com Nossa Senhora e pensava “se amor de Mãe é tão poderoso, um milagre há de acontecer e eu hei de ter Mariah em meus braços”.

Nossa rotina continuou e passei a agradecer cada boa notícia que recebia. Agradeci também o fato de ter encontrado uma equipe de médicos tão maravilhosa a quem eu confiaria a vida de minha pequena guerreira. Jamais pedi para que tudo não passasse de um pesadelo ou para que a Mariah fosse curada ali mesmo no meu ventre, pedia apenas que Deus nos desse força e acreditava que se fosse do nosso merecimento, teríamos a nossa menina, independente de qualquer obstáculo que encontrássemos.

Com 37 semanas de gestação, não pudemos esperar mais e no dia 22 de Setembro de 2006, nascia, às 11h e 51min, a Mariah, de parto cesáreo. Tão pequena e tão grandiosa. Tão amada e tão esperada. Tão frágil e tão surpreendente!

Pesava 2, 265 Kgs e media 40cm, dados que preocuparam o cirurgião que a operaria no outro dia. Ela era muito pequena e seu peso era baixo para uma cirurgia cardíaca tão delicada. A vimos muito rapidamente e não pudemos sequer tocá-la, pois precisou ser levada rapidamente a UTI neonatal, para que lhe fosse ministrado o medicamento que a manteria viva até a cirurgia e para que lhe fosse feito o primeiro exame.

Ás 14 horas, retornei ao quarto, onde revi minha irmã emocionada por ter visto a sobrinha passando rapidamente dentro da incubadora. Minutos depois, recebemos a visita da Drª Maria Fernanda, a jovem e competente cardiologista que acolheu Mariah em seus braços, logo que nasceu.

Para nossa felicidade e como um retorno a nossa incansável fé, soubemos que o problema na artéria aorta da Mariah havia desaparecido e que ela estava muito bem.

Após a 1ª emoção, fomos informados que o medicamento seria suspenso para que pudessem observar como a nossa bebê reagiria e fomos prevenidos de que o problema poderia reaparecer. Aguardamos ansiosos o final da tarde, quando outro exame foi realizado e o resultado foi surpreendentemente o mesmo.

Sem lembrar-me de que havia feito uma cesárea, tomei um banho cerca de 6 horas depois do parto e fui ver a minha jóia pela 1ª vez na UTI (o papai já tinha ido vê-la à tarde). Como foi bom poder tocá-la. Aquele corpinho tão pequeno, apenas de fralda, luvas e meias e com a carinha do papai. Jamais vou esquecer! As notícias eram maravilhosas e a vida voltou a sorrir para nós.

A cirurgia que estava agendada para o outro dia, foi cancelada. Porém ainda seria necessário a realização de um terceiro exame, para que fosse realmente descartada a cardiopatia diagnosticada.

Esperamos mais 2 dias por esse exame e Mariah continuou na UTI por precaução. E o exame confirmou o quão a intervenção divina existe e estava presente naquele verdadeiro milagre.

Nossa pequena teve alta junto com a mamãe. Recebeu o nome de Mariah Rafaela (Rafael é o anjo da cura). Ela é linda e hoje está com 3 meses. Enche a nossa vida de alegria e nos contempla a cada manhã com seu lindo sorriso. É muito esperta e ativa e é a sensação da família que hoje está mais unida e feliz.

Sei que ela tem uma bela missão. Tem ensinado muito a nós que somos tão grandes, porém tão ignorantes a respeito da vida. Hoje só posso agradecer a Deus por nos julgar merecedores de tamanha dádiva, a nossa mãezinha do céu, por estar sempre conosco e proteger a nossa menina com seu manto sagrado, a todos os nossos familiares, amigos e amigos dos amigos pelas orações e especialmente a nossa Mariah por nos ensinar que só o amor é capaz de renovar a fé em Deus, elevar o nosso espírito e mudar o final de uma história.

Querida filha, te amamos infinitamente!

OS: Tomei conhecimento da ONG Abrace, no dia 29 de Dezembro de 2006.
Saibam que todos vocês, mães e pais de UTI, já fazem parte das minhas orações para que possam ter seus corações acalentados e seus filhos nos braços. Resolvi escrever essa história para que vocês, que hoje estão aflitos, possam crer que Deus não nos abandona e que podemos sim acreditar na Vida.

Um grande abraço a todos.



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