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3/26/2007- Bebês devem dormir de barriga para cima
De barriga pra cima. Esta é a maneira correta de deitar a criança até completar um ano de vida para reduzir os riscos de morte súbita. A afirmação é dos pesquisadores do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas ...
De barriga pra cima. Esta é a maneira correta de deitar a criança até completar um ano de vida para reduzir os riscos de morte súbita. A afirmação é dos pesquisadores do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), César Victora e Alícia Matijasevich, ao anunciarem que Pelotas teve em 2006 oito casos de Mortes Súbitas na Infância (MSI) dos 66 totais registrados entre os 4.248 nascidos vivos na cidade. Segundo eles, a informação de que ao dormir junto com os pais o bebê pode morrer sufocado ou que de barriga para cima ele vai aspirar o vômito e se afogar não passam de crenças populares incorretas. “Dormir com os pais não é certo, mas não significa que o adulto vai matar a criança”, diz Victora.
Ao deitar de lado ou com a barriga para baixo o bebê respira um ar viciado, ou seja, o ar que ele próprio expira. “Uma criança maior ou um adulto acordariam ou trocariam de posição para evitar o sufocamento, mas em alguns bebês a parte do cérebro que controla este reflexo não está desenvolvida. Por isso ele acaba se ‘afogando’ e morre por asfixia”, afirma o pesquisador da UFPel.
De acordo com os estudiosos, campanhas desenvolvidas nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde foi recomendado pelas autoridades que a posição correta para dormir é com a barriga para cima, mostraram importantes reduções dos óbitos por MSI. O índice verificado em Pelotas no ano passado constitui uma taxa de 1,9 por mil. Conforme Victora, embora o número seja pequeno, é importante que se ataquem situações como esta para evitar a mortalidade entre os recém-nascidos.
Juntamente com outros profissionais de saúde (das secretarias municipal e estadual), os pesquisadores têm como meta para 2007 reduzir a mortalidade infantil na cidade de 15,5 para 13 por mil nascidos vivos. Com base nos resultados do exterior, os professores da UFPel consideram que ações como as campanhas desencadeadas pelos governantes se justificam plenamente em atividades de educação em saúde.
Freqüência maior é no inverno
Na década de 1980 foram investigados os óbitos infantis de crianças residentes em dez cidades gaúchas, por meio de estudo de casos e controles. Foram identificadas 72 Mortes Súbitas na Infância (MSI), o que representava um coeficiente de causa do óbito de um a cada mil. O risco para meninos era cerca de 1,4 vezes maior do que para as meninas.
A MSI foi mais freqüente no primeiro e no terceiro mês de vida. Também se verificou uma nítida concentração nos meses de inverno, com a mais alta incidência em julho. O risco foi maior para crianças de baixo peso ao nascer, àquelas que residiam com outras menores de cinco anos, para os que não recebiam aleitamento materno exclusivo e aos filhos de mães com baixa escolaridade, fumantes e jovens.
Êxito em iniciativas internacionais
Na Coorte de nascimentos de 1982, em Pelotas, ocorreram nove mortes súbitas entre 5.914 nascidos. Isso correspondia a um coeficiente próximo ao observado no estudo anterior (1,5 por mil nascidos vivos). Bom para a cidade, já que no ano seguinte, nos Estados Unidos, foi constatado uma taxa de morte súbita exatamente de 1,5 por mil nascidos vivos. Dez anos depois este índice se manteve estável.
Em 1992, por meio da campanha educacional denominada Back to Sleep, a Academia Americana de Pediatria orientou a colocação das crianças para dormir com a barriga para cima. A iniciativa contribuiu para reduzir a incidência de MSI em 40%. Ou seja, a queda foi de 1,2 óbitos por mil nascidos vivos em 1992 para 0,67 óbitos por mil no ano 1999.
As recomendações mantiveram-se e para o ano 2004 a taxa de óbito por MSI era de aproximadamente 0,62 por mil nascidos vivos. O exemplo foi seguido em outros países com resultados satisfatórios. Na Inglaterra, por exemplo, em 1991 a redução foi de 75%.
Auditoria investiga óbitos em Pelotas
Dos 66 óbitos registrados em 2006, do total de 4.248 nascidos vivos em Pelotas, oito se enquadram nas situações que levam à MSI. Os dados foram confirmados pela Auditoria que a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) realiza desde 2003. A partir de 2004, no entanto, o trabalho passou a ser desenvolvido em parceria com o Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel. O objetivo, segundo a coordenadora do Programa Saúde da Criança da SMS, a enfermeira Vera Schmidt, é avaliar o caso para verificar se a morte do bebê poderia ser evitada. No ano passado, apenas seis foram constatados.
O primeiro passo a partir do momento em que é diagnosticado o óbito da criança é entrar em contato com a mãe. É feita uma entrevista no domicílio a fim de detalhar todos os acontecimentos desde o parto. Depois, conforme o caso, começam a ser analisados os outros procedimentos. “Se a criança passou por uma Unidade Básica de Saúde ou por algum hospital também vamos lá. Investigamos tudo”, afirma Vera. Coletadas todas as informações, os profissionais partem para a análise final que apontará se a morte poderia ou não ser evitada.
Foi dessa forma que a auditoria apontou 12 casos de MSI (2,8 por mil) em 2005 e oito em 2006 (1,9 por mil). “Pela situação descrita pelas próprias mães, todos se enquadram na morte súbita”, diz a enfermeira. Os dados locais não são diferentes dos apontados em pesquisas: seis deles eram meninos e duas meninas com idades entre três e quatro meses. Nas oito mortes a criança estava deitada de lado ou de barriga para baixo.
Recomendação correta
O pediatra Amilcare Vecchi afirma que há algum tempo, depois de constatado que de bruços ou de lado o bebê corria riscos de sofrer da síndrome da aspiração, os médicos passaram a recomendar que de barriga para cima é a maneira correta de deitar a criança, com a cabeça levemente levantada. “Ela tem reflexos e sabe se defender”, afirma. Embora alguns pais questionem se desta forma o bebê não corre o risco de se afogar, aceitam as justificativas do profissional e é notável que eles ficam tranqüilos.
GRUPOS DE RISCO PARA MSI
- Baixo peso ao nascer
- Nascimento pré-termo (com menos de 37 semanas gestacional)
- Não receber aleitamento materno exclusivo
- Filhos de mães com baixa escolaridade e tabagistas durante a gravidez
- Fumo no domicílio
Jornal Diário Popular - 26/03/07
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