Os pais Vladimir Ribeiro e Tatiana Braun não imaginavam que iriam enfrentar um drama tão grande para encontrar uma UTI pediátrica neonatal quando o filho Jorge Wagner nasceu, na manhã de domingo, no Hospital São José, de Arroio do Meio. O casal, com ajuda de familiares e funcionários do HSJ, se comunicou com 15 instituições do Estado até conseguir internar o bebê.
Os primeiros contatos foram com hospitais do Vale do Taquari, de Estrela e Lajeado, todos lotados. Depois, tentaram obter internação na Capital e em outras cidades do Interior. Após as várias tentativas, conseguiram vaga no Tacchini, de Bento Gonçalves, porque uma criança desocupou um dos leitos da UTI.
Das 7h até pouco antes do meio- dia, quando os pais conseguiram uma ambulância da Unimed para fazer o transporte, o bebê permaneceu na maternidade do hospital de Arroio do Meio sob os cuidados do pediatra Gerick Fenalti. A presença do médico foi fundamental para a sobrevivência do pequeno paciente, já que, três horas após o nascimento, Jorge sofreu uma parada respiratória e teve de ser reanimado.
'A nossa indignação não é contra os hospitais e sim com o descaso com que é tratada a saúde como um todo no Rio Grande do Sul e no restante do país', desabafou Jair Ribeiro, tio do recém-nascido. Ele salientou que os profissionais do Hospital São José, em Arroio do Meio, se esforçaram para conseguir uma UTI, mas não havia vagas disponíveis. 'O problema da falta de vagas não é de agora, vem de muito tempo, e outras pessoas já passaram pela mesma situação do pequeno Jorge, e não se percebe uma atitude para solucionar a questão', disse.