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6/30/2007- Proteção para quem chega antes do tempo

Prematuros são as principais vítimas do vírus causador da maioria das doenças respiratórias da época

Os meses de frio trazem um perigo a mais para bebês menores de dois anos. Nessa época do ano, aumenta a circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que ataca as vias respiratórias causando chiado no peito, bronquiolite e pneumonia.

Prematuros nascidos entre maio e setembro são as principais vítimas, por causa do baixo peso e da falta de defesas no organismo.

No Hospital Universitário da Ulbra, em Canoas, o VSR foi responsável por 26 das 35 internações de crianças em maio. Mais da metade dos bebês tinha menos de seis meses. Dependendo da gravidade da infecção, o vírus pode deixar seqüelas respiratórias que persistem em 80% das crianças até os três anos. Em alguns casos, seguem recorrentes até os 12 anos.

A preocupação com a prevenção do VSR foi um dos temas debatidos no 8o Simpósio Brasileiro de Vacinas, realizado em Fortaleza (CE), no início do mês. Na ocasião, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) apresentou o primeiro calendário nacional de vacinação do prematuro, iniciativa pioneira no mundo, no qual foi incluída a proteção contra o VSR. O calendário prevê a imunização dos bebês nascidos antes do tempo com o palivizumabe, um anticorpo monoclonal produzido por engenharia genética pelo laboratório Abbott que evita a reaplicação do vírus no organismo. Administrada em crianças menores de um ano durante o período de circulação do VSR, a imunização reduziu em até 70% as internações em países como EUA e Espanha, onde o tratamento é gratuito.

No Brasil, o palivizumabe ainda não faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI), e o tratamento precisa ser custeado pela família ou por planos de saúde. Uma ampola do anticorpo, que pode ser aplicada em até três crianças - a dose depende do peso do recém-nascido - , custa R$ 3,6 mil. Para a proteção durar o período de circulação do vírus, são necessárias cinco doses.

Segundo o coordenador do serviço de pediatria do Hospital Universitário da Ulbra, Paulo Nader, o ideal é que o prematuro deixe o hospital após a primeira dose. Os especialistas e o laboratório tentam incluí-la no PNI alegando que as hospitalizações de crianças em decorrência do VSR têm um custo mais elevado do que a compra da imunização para os prematuros, que representam apenas 7% dos mais de 3 milhões de bebês que nascem a cada ano. O governo ainda está avaliando a adoção do medicamento.

Vacinação no prematuro Tipos/Recomendações BCG ID: Aplicar em recém-nascidos com peso maior ou igual a dois quilos Hepatite B: Aplicar ao nascer (zero, um e seis meses). Nos bebês com menos de dois quilos, aplicar quatro doses (zero, um, dois e sete meses) Palivizumabe: Durante o período de circulação do VSR Antipneumocócica conjugada: Iniciar o mais precocemente possível (dois meses) e respeitar a idade cronológica (aos dois, quatro e seis meses e um reforço aos 15 meses) Influenza (gripe): Duas doses, aos seis e aos sete meses

Matéria do Jornal Zero Hora - 30/06/07






 
 
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