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7/9/2007- Um hospital de fantasia

Aos cinco anos, em 2006, João entrou em um hospital por causa de uma infecção viral, que acabou evoluindo para pneumonia bacteriana, e por lá ficou ao longo de duas semanas...

Aos cinco anos, em 2006, João entrou em um hospital por causa de uma infecção viral, que acabou evoluindo para pneumonia bacteriana, e por lá ficou ao longo de duas semanas. Os pais, Letícia e Marcelo, levaram um susto. Afinal, não esperavam que aquele guri esperto e saudável dormisse por várias noites em um leito hospitalar.

Apesar da aflição natural, o casal sabia que estava ali para ajudar o filho. Foi então que decidiu fazer com que os dias fossem menos tristes para ele. Criaram um contexto de fantasia para João, mostrando a ele que o hospital pode ser bem divertido. Lá, as enfermeiras são fadas de branco, a cama pode subir e descer e é possível ouvir ecos nos longos corredores.

É essa história que a escritora Leticia Wierzchowski, autora de A Casa das Sete Mulheres, e o publicitário e escritor Marcelo Pires contam no livro O Menino Paciente (Editora Record, 48 páginas, R$ 27), que acaba de ser lançado. Uma obra, como diz Leticia, para ser lida pelos pais para seus filhos e que pode ajudar crianças e adultos a enfrentarem momentos dolorosos como esse com otimismo e muita criatividade.

- Em um hospital, tudo é motivo de apreensão, mesmo os procedimentos mais corriqueiros. O ideal é que os pais não aumentem a apreensão da criança, porque ela vai ficar ainda mais nervosa - diz Marcelo.

A jornalista Gabriela Mazza, da ONG Instituto Abrace (www.institutoabrace.org.br), conhece bem a agonia de ver um filho em uma unidade de terapia intensiva (UTI). Foi em um local como esse que sua filha, Sofia, dois anos, viveu por três meses depois do seu nascimento, por causa de uma infecção hospitalar. Hoje, passado o tempo difícil, ela ampara outras mães em situações semelhantes, por meio da ONG.

- Eu cantava para a Sofia, decorei o espaço em que ela ficava na UTI, criei um ambiente de otimismo para ela - conta Gabriela. - É muito importante que a criança se sinta cuidada e amada.

Segundo a chefe da UTI Pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio, Claudia Ricachinevsky, quando a criança é muito nova, sofre menos, porque, além de não entender o que está acontecendo, tem mais facilidade de adaptação. Quando é maior, o maior sofrimento é da própria criança, pois já compreende a situação.

Cantar sempre ajuda
- Esteja sempre presente. Estar perto da mãe, do pai, dos avós ou dos tios vai fazer a criança se sentir melhor e a recuperação ser mais rápida, conseqüentemente
- Familiarize a criança com o ambiente, levando para lá brinquedos, livros e enfeites dela
- Se possível, assista com ela a filmes infantis
- Não esconda o que está acontecendo, pois seu filho pode perder a confiança em você. Explique cada parte do tratamento com calma. Por exemplo, se ele precisar tirar sangue, tranqüilize-o com frases do tipo "Olha, filho, agora você vai sentir uma picadinha, mas é bem rápido"
- Cante e conte histórias. Está provado que a música reduz o tempo de internação
- Se a criança tem alguma cirurgia programada, mostre o ambiente em que isso ocorrerá. Ajuda a acabar com mitos sobre o local
- Converse sempre com a criança, mesmo se ela estiver dormindo, sedada, entubada ou em coma
- Converse com pessoas que já passaram ou estão passando por situação semelhante. Compartilhar experiências ajuda a enfrentá-las
- Reúna desenhos e bilhetes dos amigos do seu filho e leve para ele no hospital



Fonte: pediatra Claudia Ricachinevsky

Jornal Zero Hora - Caderno Meu Filho - 02/07/07




 
 
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