Poluição, tempo seco, inversão térmica. Tudo isso agride as vias aéreas superiores e contribui para o surgimento de patologias, como crises de rinite, sinusite, otites, faringites e pneumonia.
No inverno, com as quedas de temperatura, pessoas com tendência a problemas respiratórios sofrem muito mais.
Nesta época do ano, as secreções aumentam consideravelmente, se espalham e se alojam nos seios da face.
Com isso, surgem não só essas doenças, como também mau hálito, ronco, sono agitado e tosse noturna, comprometendo a saúde e a qualidade de vida.
O acúmulo de secreções propicia o desenvolvimento de infecções, principalmente em crianças e idosos.
Nesse caso, o tratamento é feito com antibióticos e antiinflamatórios.
“A medicação trata os sintomas, mas não remove as secreções, que voltam a aparecer num novo processo infeccioso ou alérgico”, explica a mestre em ciências da reabilitação e especialista em fisioterapia respiratória Tereza Cristina Silva Brant, do Departamento de Fisioterapia da UFMG.
Segundo ela, é preciso não só eliminá-las, como também adotar algumas medidas de prevenção.
Para desobstruir as vias aéreas superiores, ela usa uma técnica desenvolvida pelo pesquisador belga Guy Postiaux na década de 1990.
Tereza Cristina fez o curso com ele em 1999 e, desde então, aplica o método nos pacientes.
Os resultados são positivos, comprova Rita de Cássia, mãe do adolescente Alexandre, de 17 anos, que tem deformidade torácica provocada pela dificuldade de respiração desde a infância.
“Ele sofre de rinite alérgica e está em tratamento com um alergista, que recomendou a fisioterapia respiratória.
A desobstrução nasal já normalizou o sono – hoje mais tranqüilo –, e ele consegue manter a boca mais fechada”, diz.
A pequena Geovana, de 3 anos, sofria com bronquites, viroses, gripe constante e uma tosse que não cedia.
“Em março, ela passou mal o mês inteiro. Íamos ao Hospital São Camilo todos os dias.
Era antibiótico e remédio, um atrás do outro.
Até que a pediatra detectou uma deformidade torácica ocasionada pela má respiração e indicou a fisioterapia”, conta a mãe, Flávia Marra.
Geovana respirava pela boca, não conseguia dormir direito, tinha muita secreção.
“Com a técnica e a limpeza nasal diária, os resultados surgiram de imediato.
Ela já dorme melhor e respira bem.
Nesse período frio, Geovana foi a única da sala dela a não adoecer.”
Flávia ressalta que hoje a filha faz a prevenção diária, para evitar novo acúmulo de secreções, e está em tratamento para correção da deformidade do tórax.
Prevenção
A técnica de fisioterapia respiratória ajuda a remover as secreções e, associada à lavagem diária do nariz com soro fisiológico e exercícios respiratórios, previne o acúmulo de catarro.
“O tratamento gera um alto fluxo nasal, que suga as secreções.
Ao caírem na garganta, são expelidas na tosse ou deglutidas e saem nas fezes.”
No caso de bebê ou crianças com até 3 anos, Tereza Cristina explica que é feita uma manobra manual no tórax e abdômen, por meio da qual ele tenha reflexo de inspiração profunda.
“Nessa hora, o vácuo é gerado e a secreção é deslocada.” Em crianças maiores, adultos e idosos, a técnica é realizada com a cooperação deles.
O tratamento é feito sem aparelhos.
Só com exercícios respiratórios é possível remover as secreções que facilitam a propagação de vírus e bactérias.
De acordo com Tereza Cristina, a técnica só pode ser feita por especialista em fisioterapia respiratória.
A aplicação da ducha nasal com a fisioterapia para desobstrução das vias aéreas superiores ajuda na umidificação da mucosa e na eliminação das secreções acumuladas.
Isso, feito diariamente, segundo a especialista, melhora a respiração e previne infecções nas vias aéreas.
Sem contar que evita o uso excessivo de medicamentos, como antibióticos, antiinflamatórios e antialérgicos.
Estudo feito pela Pulmosystem, clínica de fisioterapia respiratória, mostra que a média de 10 sessões diárias é suficiente para desobstruir as vias aéreas superiores e a prevenção é feita pelos próprios pacientes ou pais, no caso de bebês e crianças de até 3 anos.
A técnica é indolor, destaca a especialista.
“É indicada para crianças, jovens, adultos e idosos com quadros de tosse carregada, coriza nasal, tosse noturna, sono agitado, ronco, respiração pela boca, fala fanhosa, sinusites e otites de repetição, mau hálito e sinal de secreção na garganta.
A contra-indicação, segundo Tereza Cristina, é em crianças com problemas cardiológicos e com ausência de reflexo de tosse.
Feita a desobstrução, ela orienta a lavar o nariz de duas a três vezes por dia, fazendo o exercício para evitar o acúmulo de secreção.
Pessoas que fazem a manutenção, independentemente da época do ano, se previnem muito bem.
“Cerca de 90% dos pacientes não retornam ao consultório.
Todo mundo deveria fazer essa técnica de desobstrução, evitando o aparecimento de doenças e garantindo melhor qualidade de vida”, afirma.