Aos três meses, ela contraiu o vírus, que evoluiu para uma miocardite (inflamação no músculo do coração). A doença dilata o órgão, interrompendo o bombeamento do sangue para o resto do corpo. Ela foi submetida a um transplante, no dia 1º, e se transformou na paciente mais jovem a receber um coração no Complexo Hospitalar Santa Casa, de Porto Alegre.
Laura ficou só uma semana na UTI. Ontem, os médicos anunciaram o sucesso da recuperação e a alta de Laura, que deve ocorrer até o fim da semana.
O bebê aguardou uma semana na lista de espera para receber o coração, doado pela família de uma criança de sete anos. Como a doença de Laura fez com que seu coração triplicasse de tamanho, foi possível o transplante de um órgão de uma criança mais velha.
- A cirurgia foi complexa em função do tamanho dos vasos e do espaço para o órgão, mas ela respondeu muito bem - afirma o cirurgião cardiovascular Aldemir Nogueira.
Disposta, a pequena Laura nem lembra o bebê que, segundo a mãe, Débora Santanna, não conseguia comer, chorar ou brincar.
- Ela sentia muita falta de ar e precisava de sedativos a todo o instante. Agora, ela consegue fazer todas as atividades normalmente - conta.
O transplante de coração em bebês é raro, em razão do baixo número de doadores e da complexidade da cirurgia. No Estado, nos últimos oito anos, apenas dois bebês com menos de um ano foram submetidos à cirurgia.
Descoberta
- Uma pesquisa apresentada na semana passada, no Congresso da Associação Americana do Coração, em Orlando (EUA), traz esperança para bebês que aguardam transplante de coração. Médicos descobriram que é seguro fazer a operação mesmo quando doador e receptor não têm tipos sangüíneos compatíveis.
- O estudo mostrou que a taxa de sobrevivência foi a mesma - 75% - com doador de tipo sangüíneo compatível ou não.