Se existisse alguma culpada, essa seria eu, Janaína. Já faz quase 5 anos, mas esse tempo serviu como aprendizado...
Engravidei aos 24 anos, embora tivesse rompido com meu namorado durante a gestação, esse período até que foi tranqüilo.
Na última visita ao obstetra, tomamos a decisão de induzir o parto normal depois de 2 dias daquela consulta.
Eu iria me internar na terça à noite, ficar no soro durante toda noite e possivelmente teria feito o parto logo pela manhã.
Como o plano de saúde não cobriria a internação à noite (acho que nem o Ministro da Saúde saberia explicar), a secretária do Obstetra, que é amiga da família, trocou a data da internação e não avisou o doutor.
Conclusão: Às 6h ele estava ligando a todos os hospitais, tentando achar uma mãe perto de ter seu bebê e eu chegaria ao Hospital, meia hora depois, super tranquila, crente que esse procedimento levaria alguns minutinhos...
Meu médico tinha viagem marcada para o horário do almoço e não poderia aguardar o procedimento. Então ele propôs que seu auxiliar, o excelentíssimo e desconhecido por mim até então, Dr. Carlos Alberto, aguardasse comigo e fizesse o parto em seu lugar.
Não quis, preferi fazer uma cesariana naquela hora. Bati o pé e exigi que ele fizesse o parto, caso contrário não faria com mais ninguém. A viagem iria ser longa e não daria tempo para esperarmos que o pequeno Pedro nascesse naturalmente.
Convencido, o Dr. Luiz Fernando aceitou meus pedidos, respeitou meu medo e iniciou a cirurgia. Em questão de 1 hora ou menos, nasceu o Pedrinho.
A cirurgia transcorreu na mais perfeita normalidade, com 37 semanas, ele era gordo e grandinho - 3kg e 48cm - tranquilo, quase não chorou, apenas resmungava com a mãozinha na frente da boquinha.
Deixaram uns segundinhos comigo e o levaram daquela sala fria de setembro. Sua saturação estava em 91, chegando na pior crise a 89.
Sonolenta fui levada ao quarto. Sem receber nenhuma notícia até então, no meio da tarde o pediatra de plantão informou que o Pedro estava na UTI, com Síndrome do Desconforto Respiratório - conhecida como Pulmão Verde - não tinha razões para aquilo, tratamento e consequências, apenas que deveria esperar.
Já não podia me mexer devido a anestesia, após aquela notícia, que, diga-se de passagem, foi mil vezes pior vinda de uma forma tão brutal por aquele médico sem coração. Em nenhum momento ele havia parado pra sequer, nos apoiar ou esclarecer melhor o que vinha a ser tudo aquilo!
Foram 7 dias indo e vindo daquela UTI. As mães tinham horários de visita, o clima "cinza" impedia que fizéssemos amizade. Uma pena! Pois se soubéssemos antes, poderíamos ter unidos as nossas forças nesse momento tão ingrato!
Ele? Ele tomava antibióticos, usava cpap, capacete, sonda gástrica...
Aquelas visitas estavam me matando aos poucos. Recebia um abraço das enfermeiras dando parabéns pela melhora na manhã e quando voltava mais tarde ele havia piorado.
Com os bracinhos marcados e as perninhas separadas, o Pedrinho foi entubado... Foi uma noite muito mal dormida, a tal da "bombinha elétrica" do hospital já não dava mais conta da minha fabriquinha de leite...
Pela manhã, no horário da primeira visita, tentando fingir que estava tudo perfeito e não passar pro pequenininho minhas angustias e frustrações, tomei um susto: Ele havia retirado o tudo sozinho!
Sendo assim, os médicos entenderam que ao invés de ajudar o tubo estava atrapalhando e o removeram. Foi então que ele ficou em uma das inúmeras divisões da UTI do Hospital São Luiz. Também com horário de visitas, mas uma ala mais tranquila que a anterior. Ficava "namorando" meu filho de fora da UTI, pelo vidro que isola aqueles pequeninos.
Foi dali que assisti a sua primeira peripécia: deitadinho de bruços na incubadora, o Pedrinho resolveu "sair" e "engatinhando" (na verdade ele fazia forças com o pezinho e por isso se locomovia) e por pouco não cai do suporte de acrílico que fica embaixo do "colchãozinho".
A enfermeira, que estava amamentando outro bebê, correu e abortou a fuga do pequeno.
Nessa hora eu vi que não adiantava, eu teria um traquinas em casa... E que por isso ele teria que sair daquele lugar a qualquer preço.
Durante aquela manhã, finalmente deixaram que eu o amamentasse 5 minutos e a cada mamada fosse aumentando o tempo. Mas, como a sede dele viver era tão grande... O chefe da pediatria disse: "Mamãe, deixa esse menino mamar! Que cinco minutos que nada, ele quer ir pra casa!"
No final do dia, encaminharam meu pequeno Pedro a Unidade Semi-Intensiva, onde ele ficou mais 1 dia e meio. Claro que como a maioria daqueles bebezinhos, ele teve icterícia, e por esse motivo, não foi embora antes!
Um banho de luz... E então seu primeiro banho completo, depois de 7 dias! E logo depois, estávamos eu e o Pedrinho indo pra casa!
Acreditando, tudo acontece!
Janaína Costa Siqueira