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pais & filhos


Pais: Juliana
Filho(a): Mel


Nossa história começa há dez anos. Tive um filho cardiopata que viveu apenas 12 horas. Foi tudo muito difícil e ao mesmo tempo muito rápido.
Descobrimos a cardiopatia dele aos 4 meses de gestação,foi uma gravidez complicada e cheia de inseguranças.Ele se chamava Thales Henrique.
Depois de todo esse tempo engravidei e a história se repetiu. A única coisa que eu conseguia pensar na hora que foi diagnosticado a cardiopatia da minha filha era que estava vivendo todo aquele pesadelo novamente, mas dessa vez havia uma esperança. Assim que a Dra. Lilian me disse “dessa vez tem jeito!!!”;fiquei tão feliz e mais aliviada.
Então chegou o grande dia,13/04/07, nossa Melissa Vithória nasceu, chorou e imediatamente foi para a UTI. Depois de 3 dias foi operada. A cirurgia foi um sucesso e tudo corria bem...de repente nada mais estava bem.Mel pegou infecção e depois disso tudo começou a piorar.Seus pulmões também não estavam totalmente formados.
Era um quadro muito instável:um dia estava melhor no outro piorava muito.Quando ela melhorava voltava a tomar leite (não o meu pois meu leite secou na primeira semana de vida da minha filha).
Foram exatos 50 dias de vida. Dias difíceis e dolorosos para todos que acompanharam nossa história, mas também foram dias únicos, de muito amor e felicidade por estarmos perto de nossa doce Mel. Realmente ela era um doce, tão pequenina e meiga!
Assim que ela nasceu descobrimos que tinha Síndrome de Down, a amamos mais ainda por isso. Fiz o que foi possível, fiquei fora de casa quase 6 meses desde que descobri que ela era cardiopata, ainda na minha barriga. Fui para São Paulo para poder cuidar bem da minha filha, fiz tudo que estava ao meu alcance.
Fui chamada duas vezes ao hospital, pois o quadro dela tinha se agravado muito, mas sempre quando eu entrava para vê-la já tinha melhorado...ela ficava toda roxa. Sempre que tinha que fazer algum procedimento ela ficava nervosa e descompensava tudo. Parava de mamar, tinha hemorragia pulmonar, teve um derrame cerebral, que sempre que estava acordada tremia os bracinhos...foram dias difíceis!!! Mas o que mais me desesperava era ver minha filha chorar. Ela chorava e por causa do tubo a gente não ouvia o choro, apenas via as lágrimas caírem. Eu ficava arrasada, não podia pega-la no colo,apenas dizia “ a mamãe tá aqui filha,tenha calma,vai ficar tudo bem eu prometo”.
De repente o telefone tocou, era a terceira vez que me chamavam no hospital. Foi num domingo, 03/06/07, 7:20h da manhã...definitivamente o dia mais triste da minha vida. Mel começou a passar mal de madrugada, teve várias complicações, uma parada cardíaca e não resistiu.
E eu pensava “a minha Mel foi embora...e com ela uma parte de mim”. Sei que um dia vou aprender a lidar com essa dor e com toda saudade que a Mel deixou. Deus me mostrou uma Juliana antes e uma Juliana depois de tanto sofrimento...e sei que onde meus filhos estiverem estarei sempre junto com eles, pois sempre irão morar no meu coração.

Thales e Mel, meus amores eternos!














 
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