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pais & filhos


Pais: Mari e Bruno
Filho(a): Maysa


Meu nome é Mariangela, tenho 23 anos e infelizmente minha história não tem um final feliz.

Tudo começou em 15/06/06, com 25 semanas de gestação senti cólicas e fui até o hospital. O médico me examinou e me disse que eu estava estressada e que meu útero estava começando a dilatar. Fui pra casa e descansei como me foi recomendado. Tudo estava bem, até que no domingo, dia 18/06, acordei as 7h com sangue na calcinha. Logo levantei, acordei meu marido e não consegui mais dormir, como se um anjinho estivesse me mandando ir até ao hospital.

Pois bem, fui ao hospital de ônibus sem dor alguma, mas sabia que algo estava errado. Chegando lá fui examinada e a doutora constatou que eu estava com 7cm de dilatação e que minha filha nasceria a qualquer momento. Fui internada as 12h e lá fiquei por 3 dias em observação a espera do nascimento da minha filha.

Na terça – feira, dia 20, as 19h, começaram as contrações e dilatação total. No dia 21 nasceu a tão sonhada Maysa.

Como não podia ser diferente nasceu muito pequena, com 0,975kg e 33cm, logo foi levada para a UTI.Depois disso começaram os nossos verdadeiros problemas: infecções, tubos, remédios que não faziam efeito, fungos, cirurgia para a tal interocolite, hemorragias. Mas ela ali firme, lutando pela vida até que a recompensa veio: no dia dos pais conseguimos pega-la no colo mesmo entubada, imagine depois de 2 meses de nascida uma vitória.Após esse dia conseguimos pega-la no colo algumas vezes, levei - a até o oftalmo sem precisar de oxigênio (uma benção!).

No dia 12 de setembro, quando cheguei para vê-la com o meu marido, ficamos sabendo que ela tinha piorado muito e precisava passar por outra cirurgia. Naquele momento, meu mundo caiu e achei que ia morrer, mas fiquei ao lado dela rezando. Mesmo que me dissessem que ela não sairia viva da sala de cirurgia eu acreditava em um milagre.

Assinei a autorização para a anestesia geral e fiquei ali por 3 horas, nos corredores frios, esperando o fim da cirurgia.

As 23:30h terminou a cirurgia. A doutora disse que o pior seria a recuperação e que ela acreditava que em 48h meu sonho seria destruído, pois minha filha não sobreviveria. Como ela era muito teimosa ficamos por 15 dias em recuperação com altos e baixos.

No dia 25 de setembro cheguei pra vê-la, estava tudo estável, saí para almoçar e quando voltei a saturação começou a cair e não aumentou mais. Foi ficando cada vez mais baixa e eu ali, vendo minha pequenininha morrer sem poder fazer nada, como se estivessem me matando aos poucos. De madrugada, fui pra casa avisar minha família e acabei dormindo devido aos remédios que haviam me dado no hospital.

As 8h do dia 26 de setembro, recebi a noticia por telefone: minha filha havia falecido. Voei para o hospital com meu marido e me trouxeram meu bebê tão esperado, num saco plástico como se fosse um lixo. Pra mim e meu marido foi como se tivéssemos morrido também. Ainda tivemos força para vesti-la na funerária e carregar o caixão, que mesmo tão pequeno era pesado, pois ali estava um sonho de duas vidas.

Hoje, ainda estamos tentando nos recuperar e ter outro bebê, mas a minha Maysa vai ser sempre a minha primeira filha, pois não vou esquecer nunca das suas gracinhas, do seu sorriso, das suas brigas com as enfermeiras quando ela tinha que sair do colo ou tomar remédio. Vou amá - la pra sempre!














 
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