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pais & filhos


Pais: Paula e Marcos
Filho(a): Madalena


MADALENA, NOSSA ESTRELINHA!

Comentado por Paula Reis, em 10 de outubro de 2007
Tenho 32 anos e 4 anos de casamento. Sempre quis adotar uma criança, mesmo antes de casar e, quando conheci meu marido, ele achou a idéia legal e abraçou a minha causa. No final do ano de 2005 fizemos nossa inscrição para a fila da adoção. Não sabia se podia ter filhos biológicos, pois nunca havíamos tentado (eu usava anticoncepcionais), porque a idéia era, realmente, adotar uma criança. No final de 2006, entramos, efetivamente na fila e, no início de 2007 começamos a fazer visitas a um abrigo, na cidade de Votorantim, chamado Casa de Belém. Porém, no dia 07 de Janeiro, eu engravidei.
Sei com toda certeza essa data e várias de vocês já devem ter sentido essa certeza. Mesmo estando grávida, continuamos o projeto da adoção. Fomos para conhecer um menino, de 6 anos e na mesma ocasião, conhecemos a Carolina (6 anos) e nos apaixonamos por ela. Também conhecemos o Alexandre (11 anos), que é irmão da Carol, mas ele estava sendo levado para adoção por uma outra família. Iniciamos as visitas com a Carol e em menos de um mês já estávamos com a guarda provisória dela. Numa destas visitas ao abrigo, conhecemos a Beatriz (irmã da Carol e do Alê), com 10 anos e também nos apaixonamos por ela. A história se repetiu e, no começo de Março a Bia já estava conosco. Minha gravidez transcorria com uma calma, uma saúde tão boa, que nem parecia que eu estava grávida. Quando soube, pelo ultra-som, que seria uma menina, chamei-a MADALENA (em homenagem à minha mãe, que havia falecido em Novembro do ano anterior) e ficamos muito felizes com nosso trio de bonequinhas. A Madalena estava prevista para 05/10/2007, ou seja, hoje ela teria, mais ou menos, 4 dias. Mas também eu tive pré-eclampsia e a MADALENA veio ao mundo, numa cesariana de urgência, no dia 04 de Agosto, leonina, como a Avó. LINDA... Bravinha... Cabeluda (parecia que usava uma peruquinha), toda coberta com uma penugem lourinha, a sobrancelha também era lourinha, que nem aparecia. Eu dizia para o meu marido que ia levar um lápis e desenhar uma sobrancelha nela, como a avó dela fazia, pois também tinha uma sobrancelha fininha que nem aparecia...
Neste meio tempo, soubemos que o Alexandre (irmão das nossas princesas) havia sido devolvido pela família que o tinha levado (como fazemos com produtos defeituosos num supermercado) e estava num abrigo chamado Casa do Adolescente, também em Votorantim. Mas nós estávamos tão envolvidos com a Madalena, com as visitas à UTI Neo, duas vezes ao dia e com nossas outras filhas, que não pudemos dar atenção imediatamente ao Alê, mas já estávamos conversando sobre a possibilidade de adotá-lo, também.
A Madalena ia bem, nasceu com 37 cm e 920 gr, mas respirava bem (os médicos explicaram que estavam mantendo-a entubada para que ela tivesse suporte para ganhar peso, apenas) e ela ficava cada dia mais lindinha, mais espertinha. Quando chegávamos perto da incubadora e falávamos com ela, abria os olhinhos. Ela nos reconhecia! Eu cantava pra ela músicas que eu amo, falava que a amava, fazia orações, dizia que a avó dela ficaria com ela o tempo todo e eu também, ainda que em pensamentos, que ela era bem-vinda (apesar de inesperada), tão querida, tão amada, tão perfeita...
No décimo dia ela adquiriu uma enter-colite e resistiu somente até o dia 21/08/2007, nos deixando da mesma forma como veio, inesperada, às 02:10h da madrugada. Como eu a amo! Deus, como foi triste não tê-la fisicamente comigo. No hospital, eu e meu marido demos muitos beijinhos, cheiramos, afagamos, abraçamos aquele corpinho tão querido que não carregava mais a alminha da nossa Madalena. Ela é, agora, uma Estrelinha, no Céu, brilhando e olhando por nós. No dia 23/08 eu já estava trabalhando novamente (sou advogada) e graças a Deus, por isso, porque acho que enlouqueceria em casa, sem minha florzinha...
Meu marido trabalhando, minhas princesas na escola e eu só alimentando uma dor imensa... Ainda temos saudades imensas das coisas que não fizemos, das histórias que não contamos, das músicas que não cantamos, das bagunças, dos sustos, da sua falinha, dos seus passinhos, de suas rebeldias. Que pena, filhinha, que você não pode esperar a mamãe... Que dó da mamãezinha que ficou sem você, meu amor... Mas que alegria nós tivemos, filha, durante 15 dias, nós tínhamos o bebê mais lindo do mundo. Agradeço a Deus o privilégio de ter convivido com você por este tempinho. Foi curto, mas os ANJOS não habitam entre os homens, eles só vêm para dar um alento e retornam para junto de Deus. Procuro não pensar no tempo em você não estará conosco, mas lembro, com intensa alegria, dos dias em que você me permitiu ser a mãe mais feliz do mundo. Superado este momento tão difícil, digo a vocês, com imensa felicidade, que meu filho, Alexandre, está conosco há duas semanas e nossa família é feliz e completa. Somos o Papai Marcos, o Lelê (Alexandre), a Bia, a Carol, nossa Estrelinha, Madalena (nosso Anjo) e eu, a mamãe, Paula.
Ah, aviso aos navegantes: Permita-se vivenciar todos os momentos da vida com intensidade, inclusive os de dor, e fiquem tranqüilos, porque mesmo que a gente brigue com Deus, como um bom pai/mãe que ele é, ele NUNCA briga com a gente e continua nos olhando e nos protegendo, sem mágoas, só com AMOR. Daqui uns dois anos, Marcos e eu tentaremos ficar grávidos, de novo e não descartamos outra adoção... Quem sabe...

Paula Reis, Sorocaba/SP paularobertareis@terra.com.br














 
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