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pais & filhos


Pais: Cleber e Vanderlaine
Filho(a): Carlos Eduardo


Nossa história começou com uma gravidez que nenhum medico descobria. Eu fazia exames ,ultra-sonografia e não dava gravidez. Os médicos diziam que eu estava com gravidez psicológica, mas eu não acreditava. A muito custo descobriram então que eu estava grávida.

Depois do último exame que fiz, e que constataram a gestação, começaram os problemas, já que eu não podia ficar grávida e se isso ocorresse, seria de risco. Fui até o oitavo mês de gravidez, e no dia 7 de novembro de 2005, quando fui à consulta do pré-natal, minha pressão estava muito alta. Como os remédios já não estavam mais controlando, o médico me disse que se até sexta -feira eu não sentisse nada era para ir para o hospital que iríamos fazer a cesárea.

Por volta das 5h30 da manhã acordei toda molhada, achei até que tivesse feito xixi, mas na verdade eu estava perdendo líquido. Umas 10h da manhã fui ver minha avó, porque ela estava muito doente, com câncer, e já não andava mais. Fiz tudo o que tinha para fazer e voltei para casa. No final da tarde o meu marido e eu fomos para o hospital. Chegando lá, minha surpresa: a pressão estava em 18 por 12. A enfermeira ligou para o medico e ele mandou que me internasse, porque eu estava entrando em trabalho de parto - o que não podia. Eu estava com dois centímetros de dilatação e começaram a me dar remédios para baixar a pressão. Em vez de baixar, minha pressão subiu, foi a 22 por 12. Quando conseguiram baixá-la para 20, fui levada para sala de cirurgia para uma cesárea de urgência.

Meu bebê veio ao mundo ás 23h28, pesando 3,3 kg e medindo 49cm. Nem o vi direito porque havia tomado muitos remédios para baixar a pressão.Só me falaram que ele havia nascido bem pretinho, e que tinha de ir para incubadora, já que estava com dificuldade de respirar. A pediatra que o examinou disse que ele estava assim porque era prematuro. Depois que colocaram ele na incubadora, meu marido e a minha filha ainda conseguira vê-lo, mas eu não pude.

No dia seguinte a médica entrou no quarto e disse que precisaria transferi-lo para uma cidade vizinha, onde teria uma UTI Neo Natal. Fiquei desesperada, mas ela falou que não era nada grave. Era uma quarta-feira, e meu marido foi junto com nosso filho na ambulância e eu permaneci no hospital. No dia seguinte, a tarde, eu pedi à enfermeira que ligasse para saber notícias do meu bebê. Depois de autorizada pela assistente social, ela entrou no quarto e disse que havia ligado, e que ele estava bem, que na sexta-feira quando eu tivesse alta, ele iria para casa comigo. Passados alguns minutos, ela entrou correndo no quarto falando que precisava falar com alguem da minha família porque tinham descoberto que meu bebê tinha problema de coração, e que precisava ser transferido.

Assim que meu marido chegou no hospital que nosso bebê estava, os médicos disseram que ele tinha uma cardiopatia congênita, e que estavam tentando vaga para ele em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Como não conseguiram, foram para o INCOR, em São Paulo. Mesmo eu querendo ir junto, os médicos não permitiram que eu tivesse alta.
Na sexta-feira, depois de liberada, fui até Assis para vê-lo. Chegando lá me deparei com o meu bebê entubado e com fios por todos lados. Aquilo me deu um desespero e percebendo, a médica que estava cuidando dele na UTI veio falar comigo e explicou que ele deveria ser transferido para o INCOR no sábado, onde o estariam esperando às 12h. Disse que estavam esperando uma ambulância para levá-lo, a muito custo conseguimos uma ambulância móvel e um médico para acompanhar a viagem, junto com meu esposo.

Enquanto isso eu fiquei esperando por notícias até que por volta das 5h a madrinha do meu bebê ligou. Contou que estava ligando porque meu marido estava muito abalado, porque durante a viagem o balão de oxigênio da UTI Móvel havia estragado o médico e a enfermeira precisaram ir bombando o aparelho com a mão. Com isso nosso filho chegou bem mal em São Paulo e precisaria fazer um cateterismo, mas os médicos não sabiam se ele resistiria, já que ele estava com a pressão muito baixa. Na quarta-feira eu estava conversando com meu marido no telefone e ele desligou de repente. Fiquei muito preocupada,mas logo ele me retornou dizendo que tinham ligado do hospital para avisar que iriam operá-lo na quinta-feira pela manhã.
A cirurgia começou às 10h e acabou às 17h30. Ele foi direto para UTI. O médico nos disse que teríamos que esperar as 72 horas para saber se estaria fora de perigo. Passado esse tempo meu marido ligou avisando que nosso bebê estava bem. Mas logo a tarde ligou novamente avisando que havia piorado, porque os rins estavam parando. Eu quase enlouqueci. No dia seguinte fui para São Paulo, já que não conseguia mais ficar longe dele.

Quando cheguei vi meu bebê cheio de fios e aparelhos, quase não resisti. Mas fiquei firme, chorando ao lado dele, sem sair nem um minuto, sempre nas horas certas de visita. Foram vários dias de altos e baixos. Mas chegou um final de semana que o médico disse que estava bem e que na segunda-feira ele poderia ir para o quarto. E foi realmente o que aconteceu. Depois de uma semana fomos para casa. Hoje ele está com dois anos e dois meses, é a coisa mais linda que Deus me deu!

Deixo aqui uma mensagem a todos os pais que estão passando por isso. Nunca desanimem, porque Deus não desampara ninguém. Quando é para ser da gente, Ele nos dá. Quando é para ser Dele, ele leva com Ele .














 
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