Oi, meu nome é Karina, junto com Ricardo, nos tornamos pais de um lindo e guerreiro menino chamado João Ricardo (Significado: João - Deus tem compaixão, Deus é misericordioso e Ricardo - Príncipe forte, que tem um coração valente). Essa é de fato a personalidade do nosso menino do Coração Valente.
Eu e meu marido nos casamos em 2002 e desde então víamos sonhando em ter um bebê, tentamos algumas vezes, evitamos outras, pensamos em organizar nossas vidas primeiro, depois o desejo de ter um filho vinha ainda mais forte, e assim passaram alguns anos, até que em agosto de 2007 nos descobrimos grávidos. Tive uma gravidez muito conturbada, muitos picos de pressão, quando no dia 22 de fevereiro de 2008, acordei muito inchada, mal podia fechar as mãos, pois as palmas estavam enormes, minhas pernas doíam, sentia uma dor incomoda na nuca, liguei para minha médica e ela achou melhor que eu fosse até o hospital para verificar a pressão, chegando lá eu estava com 14x9, então mandaram que eu voltasse para casa e se chegasse a 15x9 retornasse ao hospital. Mal chegamos em casa os incômodos aumentaram, então verificamos que a pressão já estava em 15x9, voltamos para o hospital e me encaminharam para a emergência, lembro de ter visto no celular que eram 17 horas, minha prima que era estudante de enfermagem ficou comigo o tempo todo, enquanto minha sogra ficava resolvendo questões de internação, ligando para meu marido, minha mãe, em fim, mantendo todos informados.
Minha prima Ana foi um anjo naquele momento, me distraindo para que eu não percebesse a elevação da pressão e ficasse ainda mais nervosa, ela sabia que era uma situação tensa e muito preocupante. Às 20 horas, ainda na emergência (era época de surto de Dengue no Rio de Janeiro, os hospitais estavam lotados, devido a isso, precisei ficar por muito tempo na emergência), minha médica ligou para a plantonista para saber como estavam as coisas, lembro de ter escutado ela dizer que havia chegado a 18x10, fiquei preocupada, mas achei que fosse ficar tudo bem e que eu voltaria para casa, sem maiores problemas.
00 hora, minha médica chegou ao hospital, ela, com aquele ar delicado e meigo, que é típico dela, segurou minha mão e disse que havia chegado o momento, teríamos que interromper a gravidez. Aquele momento foi tão difícil, lembro de ter olhado para a minha prima, e mesmo tentando disfarçar, vi seus olhos cheios de lágrimas.
Fomos para o centro cirúrgico, quando estava quase entrando meu marido chegou; eu esperei tampo por ele! Vi que ele estava com as coisinhas do nosso bebê, mal sabíamos que não seriam necessárias naquele momento.
As 1h14 da manhã o nosso bebê já havia nascido, com 1,630 kg e 44 cm. Tão lindo, chorão, mas tão frágil, tão pequenino. Fiquei alguns segundos com ele, pude até dar um beijinho em sua testa, um momento sublime em minha vida! Parou de chorar assim que o toquei!
Dali fui para o CTI e ele para UTINeo, fiquei 3 dias no CTI, pois minha pressão chegou a 22x14, foi uma batalha. O nosso bebê ficou 24 dias na UTI, os 3 primeiros dias ficou recebendo apenas a visita do papai, até que recebi alta do CTI e pude vê-lo. Pedi para o meu marido me ajudar a me arrumar, coloquei uma camisola azul, de ceda e renda, que minha mãe havia comprado para mim, disse que eu deveria estar linda para ver meu filhote. Minha mãe é um ser muito especial!
Me penteei, respirei fundo e lá fomos nós, eu, meu marido e a enfermeira que empurrava a cadeira de rodas. Aqueles corredores pareciam não ter fim, quando entrei na UTINeo me bateu um desespero, eram tantos bebês, alguns até menores e mais frágeis que o nosso João. Não pude conter as lágrimas, chorei muito, muito mesmo!
Meu marido me segurou e falou que eu não deveria chorar, pois o João iria precisar de mim, eu teria que ser forte para passar força para ele. Confesso que me senti fraca muitas vezes, mas quando percebia que não agüentaria, segurava sua mãozinha e dizia que o amava. Ele tinha um olhar firme e sempre que eu falava com ele, ele fixava o olhar em mim, era algo mágico.
Foram dias de suspense, dias de angústias, incertezas, mas de muita fé. Meu marido e eu ficamos muito unidos naquela época, era uma espécie de solidariedade mútua.
O João ficou 14 dias na incubadora, então foi para o bercinho, precisava apenas ganhar peso e aprender a sugar. No 23 terceiro dia de UTI as enfermeiras me avisaram que eu precisaria aprender algumas coisas para poder cuidar dele em casa, fiquei um pouco zonza, sem entender. Naquele mesmo dia alguns bebês receberam alta; fiquei tão feliz, mas ao mesmo tempo me bateu uma inveja, queria tanto estar no lugar daquelas mães, mas eu tinha fé em Deus que meu momento chegaria logo.
No dia seguinte, era dia de visita dos avós, como só podiam ficar duas pessoas por vez, pedi que minha avó e meu avô fossem primeiro. Fiquei do lado de fora com meus sogros, até que eles resolveram dar uma saída e fiquei sozinha do lado de fora aguardando.
A Drª Silvia me encontrou no corredor e falou:
- E aí, está pronta?
Não entendi, apenas disse que sim, então ela falou:
- Pode ir lá, arruma ele bem bonitinho!
Continuei sem entender, foi ai que perguntei:
- É o que estou entendendo?
- É! Ele vai para casa hoje!
Minha mãe e meus sogros saíram do elevador na mesma hora e me encontraram aos prantos, mal podia falar, eles chegaram a pensar que havia acontecido alguma coisa ruim, até que a Drª Silvia falou que o João havia recebido alta e por isso que eu estava sem voz.
Foi uma festa!
Então no dia 18 de março de 2008 saímos do hospital com nosso filho nos meus braços.
Hoje, 12 de agosto de 2009, o João já está com quase 1 ano e meio, tem 12kg, 80cm, fala um monte de palavras, corre pela casa toda, é birrento, bagunceiro, manhoso, gostoso.
Essa é uma pequena parte da história do nosso CORAÇÃO VALENTE.
Tenham fé!!!