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pais & filhos


Pais: Michele
Filho(a): Valentina


A minha historia de vida na verdadade não é minha, mas da minha filha Valentina. Deixe eu contar um pouco dessa historia:

Tudo ia muito bem na minha gravidez, até que na ultrasonografia para ver o sexo do bebe apareceu que não estava ganhando peso. Passou o tempo, o bebe menor que o normal, mas como o resto parecia bem, e o medico nos disse que iria nascer com menos peso que os outros, mas bem, não estávamos tão preocupados.

Porém, no dia 26/07/2007 voltei do trabalho as 18h30horas e como não havia me sentido bem durante o dia todo resolvi tomar um banho e ir deitar. Logo que me deite e me mexi na cama levei um susto, pois estava tendo uma grande hemorragia. Naquele momento fiquei tão desesperada que não sabia quem chamar para me socorrer, pois o meu marido estava trabalhando ate mais tarde naquele dia. A única pessoa que consegui achar o telefone foi meu irmão que veio tão rápido, não sei como, e me levou para o hospital. La chegando ligaram para o meu medico que por azar estava em férias, mas estaria voltando de viajem aquela noite. Consultaram-me e viram que não havia dilatação, ficamos mais tranqüilos, pois o bebe não iria nascer e seus batimentos estavam normais.

No outro dia, 27/07/2007, pela manha meu medico veio e marcou uma ultrasonografia com Doppler, após a mesma ser feita ele veio com resultado e nos disse que amanha pela manha, 28/08/2007, iríamos fazer uma cesárea de emergência, pois o bebe não estava ganhando peso pelo contrario estava começando a perder, e se não fizéssemos a cesárea ela morreria e deveríamos dar uma chance de viver, mesmo que fosse quase impossível, pois era muito pequena. Acho que foi a pior noite da minha vida, pois cada hora vinham escutar o coraçãozinho e sempre estava la forte e em poucas horas poderia não estar mais batendo.
Então as 11:00 horas do dia 28/07/2007 veio ao mundo minha pequena Valentina, nome escolhido em razão da situação em que a mesma se encontrava, nasceu com 28 semanas de gestação, pesando 470gramas e 24 centímetros. Fui para a sala de recuperação sem saber se ela estava viva, pois não nos deram esperanças. Só soube que estava viva quando fui para o quarto e meu marido me trouxe uma foto dela.

Assim que pude fui vê-la. Quando cheguei perto da incubadora em que ela estava tive um choque, pois não imaginava que era tão pequena cabia na palma da minha mão, e estava cheia de aparelhos.e fios por todos os lados. Mas, no mesmo momento tive certeza que ela iria para casa comigo.

Tive alta e que tristeza ir para casa e não levar o bebe. Então mesmo contra indicacao medica no quinto dia depois dela nascer já dirigia, subia e descia as escadas, pois não conseguia ficar em casa longe do meu bebe. Cada vez que encontrava o pediatra ele me dizia cada dia era um dia não podemos dar previsões, e poderá ter séria seqüelas. Pois ela era muito pequena e aqui em Erechim – RS nem um bebe com esse peso sobreviveu.

Os dias foram passando e a Valentina sempre forte superando tudo, pneumonias que quase a mataram, uma infecção muito forte e ate uma retinopatia da prematuridade, a qual nos falaram que se não operássemos logo a deixaria cega. O que fazer, pois na cidade ninguém fazia esta operação e o pediatra so liberaria se fossemos de avião com UTI móvel. Pois, conseguimos o tal avião e la fomos nos duas no dia 12/10/2007 para POA fazer a cirurgia. Antes de ir as enfermeiras nos deixaram pegar ela no colo, acho que tinham medo assim como nós que ela não iria agüentar a viagem, foi tão maravilhoso poder beijar ela e sentir o seu cheiro. Já, la em POA vivi uma experiência maravilhosa, pois ate o momento ela estava entubada e chegando la tiraram ela do oxigênio e eu a vi chorar pela primeira vez, quanta emoção. Passados três dias e voltamos, e ela estava muito bem, depois desta cirurgia ela só precisava ganhar peso.

Que susto quando me ligaram do hospital para dizer que deveria fazer a minha mala e a dela, pois passaria alguns dias na UTI para adaptação com ela. Quanta felicidade quando cheguei la e ela estava me esperando numa ecubadora dentro do quarto da UTI, mas a partir daquele momento ficaria sobre minha responsabilidade.

Foram quase trinta dias de adaptação, acho que virei um pouco enfermeira, abandonei minha casa, minha família e meu trabalho. Nossa quanta felicidade quando no dia 13/12/2007 o pediatra disse que nos daríamos alta. Teve ate festa no hospital, pois ninguém estava imaginado que isso poderia acontecer. Foi o dia mais feliz de nossas vidas.

A minha princesa veio para casa, com sonda para alimentacao, pois não tinha forca para sugar. No outro dia que decepção, quando fui alimentá-la a sonda trancou e tivemos que voltar para o hospital para trocar e durante esta troca foi leite para os pulmões, fazendo uma pneumonia por sucção. Que desespero e tristeza quando a pneumo-pediatra nos disse que teríamos que ficar la por 7 dias. Passado os 7 dias fomos para casa com a tal sonda, após 15 dias fui ao seu pediatra para pedir que tirasse a mesma que eu iria ensinar ela tomar mamadeira. Conseguimos. Mais uma vitoria.

Hoje a minha Valentina, que passou tantas, que quase ninguém acreditava na sua vitoria esta com 2 anos. Tem 7 kg e 72 centímetros. O seu peso ainda nos preocupa. Mas o pediatra nos diz que e normal por tudo o que passou e o que importa e que ela esta bem. Já esta caminhando fazem 3 meses,novamente superando todas as espectativas. Ela não tem nem uma seqüela, já esta falando.Ela e tão linda. E a razão de nossas vidas.

Não voltei a trabalhar. Os meus dias são para ela. Tenho ate ciúmes quando as pessoas querem pega-la. Sou fascinada por ela. O pai então todo babão. Ela e a coisa mais importante de nossas vidas.

Hoje, prestes a completar 2anos de vida o que eu posso fazer e agradecer. Agradecer a equipe de enfermagem que foram como mães para ela, ao pediatra que e um segundo pai e sempre esteve conosco nos momentos mais difíceis, ao obstetra que soube fazer a coisa certa na hora certa, a todos os familiares e amigos que rezaram e torceram por nos, ao papai da Valentina que sempre esteve ao meu lado e que mesmo sofrendo muito me apoio em todos os momentos, a Deus que eu pedi tanto para deixar ela comigo e a pequena Valentina que lutou tanto, pois eu pedi que ela lutasse para ficar comigo, pois eu tinha e tenho tanto a oferecer a ela.

E a ela eu posso dizer:
“Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você
E não ha nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você
Nem mesmo o céu, nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor, nem mais bonito
Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você
Nunca se esqueça nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você
Mas como é grande o meu amor por você.”


michelewarken.prigol@gmail.com














 
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